Quais são os sinais do câncer colorretal? Médica esclarece dúvidas na campanha Março Azul-Marinho

Foto: Arquivo Pessoal
A Campanha Março Azul reforça, a cada ano, um alerta essencial para a saúde pública: a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer colorretal. A mobilização acontece em todo o país durante o mês de março e busca conscientizar a população sobre a importância dos exames preventivos, especialmente a colonoscopia, capaz de identificar lesões ainda em estágio inicial.
Considerado um dos tipos de câncer mais incidentes no Brasil, o câncer de intestino pode se desenvolver de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, especialistas recomendam atenção redobrada a fatores de risco como histórico familiar, alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade, além da realização periódica de exames a partir dos 45 ou 50 anos, conforme orientação médica.
Mais do que informar, a Campanha Março Azul promove ações educativas, palestras, mutirões de exames e divulgação de materiais informativos em unidades de saúde e espaços públicos. A proposta é clara: salvar vidas por meio da informação e incentivar a população a cuidar da própria saúde antes que o problema se torne mais grave.
O Extra conversou com a dra. Ana Helena Bessa Gonçalves Vieira, cirurgiã geral e coloproctologista do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM) e professora da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) (CRM/PR 30.148 | RQE Cirurgia Geral 21.845 | RQE Coloproctologista 23.095) que falou sobre a conscientização do câncer colorretal, os principais fatores de risco e os cuidados com os hábitos alimentares e com o estilo de vida.
Extra – O que é a campanha Março Azul e qual é o principal objetivo dessa mobilização nacional?
Ana Helena – A campanha do Março Azul é a campanha de conscientização da população sobre o Câncer Colorretal. O Tipo de câncer que acomete o intestino grosso, o reto e o ânus. O principal objetivo é o conhecimento dos sintomas e das formas de prevenção e diagnóstico precoce.
Extra – Por que o mês de março foi escolhido para reforçar a conscientização sobre o câncer colorretal?
Ana Helena – O mês foi escolhido para destacar que a prevenção, exames de rastreamento e o diagnóstico precoce, aumentam as chances de cura em até 90%. Em 27 de março comemora-se o Dia Nacional de Combate ao Câncer de Intestino.
Extra – Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença e quem deve ficar mais atento?
Ana Helena – Os principais fatores de risco são: obesidade, sedentarismo, tabagismo, baixo consumo de fibras (verduras, legumes, frutas) além de consumo exagerado de carne vermelha e alimentos ultraprocessados.
Extra – A partir de que idade é recomendada a realização de exames preventivos, como a colonoscopia?
Ana Helena – As pessoas de risco habitual, ou seja, sem histórico familiar importante de câncer colorretal, devem iniciar o exame de rastreamento aos 45 anos de idade, realizando o exame de colonoscopia.
Extra – Muitas pessoas ainda têm receio do exame. Como a senhora avalia esse medo e o que é importante esclarecer à população?
Ana Helena – A prevenção e o diagnóstico precoce são a melhor forma de salvar vidas. E a principal maneira de detecção é através da colonoscopia, por isso a importância da realização do exame. Além disso, caso o resultado seja normal, com uma boa avaliação de todo o cólon ele poderá ser repetido com a frequência de até 10 anos.
Extra – Quais sintomas merecem atenção imediata e não devem ser ignorados?
Ana Helena – Os sintomas que não devem ser ignorados são alterações do hábito intestinal (diarreia ou constipação de início recente). Qualquer sangramento intestinal também merece ser investigado, além de anemias e perdas de peso não explicadas.
Extra – Como está o cenário do câncer colorretal no Brasil? Há aumento de casos entre jovens?
Ana Helena – O cenário do câncer colorretal (CCR) no Brasil é de alerta e crescimento, especialmente entre a população mais jovem. Por isso a idade de início da prevenção com exames de colonoscopia caiu recentemente de 50 anos para 45 anos, sendo em alguns casos indicada para pacientes ainda mais jovens. O país ocupa a sétima posição no ranking mundial da doença, com um aumento de aproximadamente 80% nos diagnósticos em apenas oito anos, com a popularização dos métodos de rastreio.
Extra – A alimentação e o estilo de vida realmente influenciam na prevenção? Que mudanças práticas podem ser adotadas no dia a dia?
Ana Helena – Ter um estilo de vida saudável, com bons hábitos alimentares, cessar tabagismo e consumo de álcool, reduzir consumo de processados e carne vermelha, priorizar alimentos naturais, ser ativo fisicamente evitando sobrepeso e obesidade são fatores de risco modificáveis do câncer colorretal, diminuindo assim sua incidência.
Extra – Como o sistema de saúde, de forma geral, está estruturado para oferecer diagnóstico precoce e tratamento adequado aos pacientes com câncer colorretal?
Ana Helena – O foco é identificar a doença antes que ela cause sintomas graves ou quando ainda é apenas um pólipo (lesão benigna que pode virar câncer). O exame de padrão-ouro é a colonoscopia. Além dele o SUS ainda conta com o exame de sangue oculto nas fezes, bem acessível nos postos de saúde. Após o diagnóstico confirmado através de biópsias o paciente deve iniciar tratamento dentro de 60 dias (SUS). O tratamento inclui cirurgia para retirada da área afetada e/ou terapias adicionais como quimio e radioterapia.
Extra – Qual mensagem final a senhora deixaria para a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce durante o Março Azul?
Ana Helena – A mensagem final que eu deixo é que a prevenção salva vidas. Não adie sua colonoscopia aos 45 anos por medo do exame, e não deixe de investigar sinais e sintomas como perda de peso, anemia, sangramentos e alterações intestinais. Mas o principal, sempre busque um estilo de vida saudável!
