Novembro Azul: especialista reforça importância da prevenção e quebra tabus sobre o câncer de próstata

Foto: Arquivo Pessoal
Com a chegada de novembro, ganha destaque em todo o país a campanha Novembro Azul, que tem como principal objetivo conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. A iniciativa, criada para fortalecer os cuidados com a saúde masculina, vem ganhando cada vez mais adesão de órgãos públicos, empresas e comunidades.
Mais do que falar sobre exames e tratamentos, o movimento busca quebrar tabus e incentivar o autocuidado, estimulando os homens a procurarem atendimento médico regularmente. Ainda hoje, muitos evitam consultas por medo ou preconceito, o que pode atrasar diagnósticos e comprometer o sucesso do tratamento.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é que surjam cerca de 71.730 novos casos de câncer de próstata em 2025 no Brasil, aproximadamente. O INCA prevê que essa projeção será válida para cada ano do triênio 2023 a 2025. O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil, perdendo apenas para os tumores de pele (não melanoma).
A campanha reforça uma mensagem simples, mas poderosa: quanto antes o câncer de próstata for detectado, maiores são as chances de cura. Por isso, o Novembro Azul se torna um lembrete anual de que prevenção é sempre o melhor caminho.
O Extra conversou com dr. Paulo Jaworski, professor e urologista da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) (CRM:23.663-PR | RQE:18.764) que falou da importância do acompanhamento preventivo, dos principais fatores de risco e do avanço da medicina no tratamento da doença.
Extra – Doutor, como o senhor explicaria, de forma simples, o que é o câncer de próstata e por que ele é tão comum entre os homens?
Paulo – É um tumor que se desenvolve na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino. Ele é comum porque a próstata sofre mudanças ao longo da vida, e o risco de alterações aumenta com a idade. A maioria dos casos aparece após os 50 anos.
Extra – Quais são os principais fatores de risco?
Paulo – Idade avançada, histórico familiar de câncer de próstata, etnia negra e hábitos como sedentarismo e dieta rica em gordura aumentam o risco. Homens com familiares de primeiro grau com a doença devem ter atenção redobrada.
Extra – O senhor percebe aumento na conscientização dos pacientes?
Paulo – Sim, vejo mais homens procurando informações e fazendo exames preventivos. Mas ainda há resistência, especialmente ao toque retal. A educação e o acolhimento são essenciais para vencer o preconceito.
Extra – Quando começar o acompanhamento preventivo?
Paulo – Homens sem fatores de risco devem começar aos 50 anos. Quem tem histórico familiar de câncer de próstata ou é de etnia negra deve iniciar aos 45 anos.
Extra – Quais exames são fundamentais e como o PSA e o toque se complementam?
Paulo – O PSA é um exame de sangue que detecta alterações na próstata. Já o toque permite avaliar fisicamente a glândula. Um pode identificar o que o outro não mostra. Juntos, aumentam muito a chance de um diagnóstico precoce.
Extra – Como o senhor lida com a resistência ao toque retal?
Paulo – Com conversa aberta, respeito e explicação clara. É um exame rápido, seguro e feito com total profissionalismo. O toque não tira a masculinidade de ninguém, mas pode fazer toda a diferença na saúde.
Extra – O câncer de próstata dá sintomas no início?
Paulo – Geralmente não. É uma doença silenciosa nos estágios iniciais. Quando surgem sinais, como dificuldade para urinar, dor óssea ou sangue na urina, muitas vezes o tumor já está mais avançado.
Extra – Quais são os tratamentos disponíveis?
Paulo – Vão desde a vigilância ativa, indicada para tumores de baixo risco, até cirurgia, radioterapia e bloqueio hormonal. A escolha depende do estágio da doença e do perfil de cada paciente.
Extra – Quais os avanços que mais ajudaram nos últimos anos?
Paulo – A cirurgia robótica trouxe mais precisão e recuperação mais rápida. Feita com visão em 3D e movimentos precisos, aumenta a chance de preservação das funções, além de obviamente ser uma excelente terapia que visa a cura. Atualmente, a grande evolução está com a telecirurgia robótica, em que o cirurgião pode operar um paciente à distância, democratizando o acesso ao melhor tratamento cirúrgico.
Extra – Quando a cirurgia é indicada?
Paulo – Quando o câncer está localizado na próstata e o paciente tem boas condições de saúde. A cirurgia robótica recentemente foi reconhecida por uma comissão do governo como método que é realmente eficaz, e logo será incluída no rol de procedimentos do SUS, inicialmente e estendendo-se para os convênios na sequência.
Extra – Que cuidados ajudam a manter a qualidade de vida?
Paulo – Boa alimentação, prática de atividades físicas, sono de qualidade e acompanhamento com equipe médica são essenciais. Fisioterapia e apoio psicológico também ajudam na recuperação e no bem-estar.
Extra – Como o diagnóstico afeta o emocional?
Paulo – Receber o diagnóstico de câncer abala o emocional do paciente e da família. Medo, insegurança e dúvidas são comuns. Por isso, o acolhimento e o suporte humano são parte fundamental do tratamento.
Extra – O suporte psicológico faz diferença?
Paulo – Faz toda a diferença. Ajuda o paciente a lidar com o medo e a tomar decisões com mais clareza. Também contribui para manter a autoestima e o equilíbrio emocional durante o tratamento.
Extra – O “Novembro Azul” tem mudado a cultura da prevenção?
Paulo – Sim, trouxe visibilidade para um tema antes cercado de tabus. Mas a prevenção precisa ir além de um mês: deve fazer parte da rotina do homem ao longo do ano.
Extra – Que recado o senhor deixaria para quem tem medo ou vergonha de ir ao urologista?
Paulo – Não deixe o medo calar sua saúde. Procurar um urologista é um gesto de responsabilidade. Quanto antes o cuidado começa, maiores as chances de um tratamento eficaz e com menos impactos.
