Alta de acidentes com escorpiões preocupa no Brasil; entenda os riscos e como agir

 Alta de acidentes com escorpiões preocupa no Brasil; entenda os riscos e como agir

Com a chegada dos meses mais quentes, cresce também a preocupação com os escorpiões. Somente neste ano, o Brasil já ultrapassou 173 mil acidentes envolvendo o animal, com mais de 200 mortes registradas. Em 2024, apesar do número maior de casos, a taxa de letalidade dobrou, passando de 0,06 para 0,12, o que reforça a importância de saber como agir diante de uma picada.

Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, e a resposta rápida pode ser decisiva. Dados do Ministério da Saúde mostram que 2023 foi o ano com maior número de óbitos da última década, com 430 mortes. A expansão urbana, aliada às altas temperaturas, tem favorecido a presença do escorpião em áreas residenciais, inclusive em cidades do interior paulista.

Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os escorpiões aparecem com mais frequência entre setembro e fevereiro. Já no Norte e Nordeste, onde o clima é quente durante todo o ano, a incidência é constante. Em caso de picada, a orientação é clara: lavar o local com água e sabão, não usar pomadas, não fazer torniquetes, incisões ou sucção, e evitar o uso de gelo. Compressas mornas podem aliviar a dor até a chegada ao serviço de saúde.

“O atendimento médico imediato é fundamental, pois o veneno pode afetar o sistema nervoso e evoluir rapidamente”, explica a bióloga Denise Maria Candido, do Instituto Butantan. Segundo ela, os sintomas variam de dor intensa e local até quadros mais graves, como taquicardia, vômitos, insuficiência cardíaca e edema pulmonar.

A prevenção ainda é a melhor estratégia para reduzir os acidentes. Os escorpiões preferem ambientes quentes, úmidos e escuros, e encontram abrigo fácil em entulhos, redes de esgoto e frestas nas casas. O lixo mal acondicionado atrai baratas, principal fonte de alimento do animal, aumentando o risco de infestação.

Entre as principais recomendações estão manter quintais limpos, vedar ralos, fechar buracos em paredes e caixas de energia, evitar roupas no chão e sempre sacudir sapatos antes de usá-los. O uso de luvas e calçados em jardins e áreas com materiais de construção também ajuda a evitar acidentes.

Por fim, especialistas alertam que nunca se deve manusear escorpiões com as mãos. Caso seja necessário retirá-lo do ambiente, o ideal é usar um objeto longo para conduzi-lo a um recipiente e encaminhá-lo ao Centro de Controle de Zoonoses. Com reprodução rápida, até 25 filhotes por gestação, a atenção da população é essencial para conter o avanço desse problema de saúde pública.

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