Campanha Fevereiro Roxo amplia o debate sobre doenças crônicas, explica especialista

A Campanha Fevereiro Roxo é um importante movimento de conscientização em saúde que chama a atenção da população para doenças crônicas que ainda não têm cura, entre elas o Lúpus e a Fibromialgia. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre essas condições, muitas vezes invisíveis, que impactam diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas em todo o país.
O Lúpus é uma doença autoimune que pode atingir diversos órgãos e sistemas do corpo, apresentando sintomas variados como dores articulares, fadiga intensa e lesões na pele. Já a Fibromialgia é caracterizada por dor muscular generalizada, sensibilidade ao toque, distúrbios do sono e cansaço constante, sendo frequentemente subdiagnosticada devido à dificuldade de identificação clínica.
Ao longo do mês de fevereiro, a campanha reforça a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo e do acompanhamento médico adequado. Mais do que informar, o Fevereiro Roxo também busca promover empatia e combater o preconceito, incentivando a compreensão e o acolhimento de quem convive diariamente com o Lúpus e a Fibromialgia.
O Extra conversou com o dr. Thiago Alberto dos Santos, reumatologista do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM) e professor da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR) (CRM/PR 28.896 | RQE 23.198) que falou da importância da campanha que aborda as doenças, os principais sintomas de cada uma delas e os recentes avanços da medicina no tratamento de quem convive com o lúpus ou com a fibromialgia.
Extra – O que é a campanha Fevereiro Roxo e por que ela é tão importante para dar visibilidade ao lúpus e à fibromialgia?
Thiago – A campanha Fevereiro Roxo tem como foco a conscientização sobre algumas doenças, em especial o Lúpus Eritematoso Sistêmico e a Fibromialgia. Por se tratar de doenças com sintomas diversos, muitas vezes podem passar desapercebidas pela população. Portanto, falarmos sobre elas tem como um dos objetivos trazer mais conhecimento a todos sobre estas patologias.
Extra – Apesar de afetarem milhares de pessoas, essas doenças ainda são pouco compreendidas. O que é o lúpus e o que é a fibromialgia?
Thiago – O Lúpus é uma doença autoimune, ou seja, quando o corpo entende que ele mesmo deve ser atacado pelas células de defesa, e apresenta uma variedade extensa de sintomas e alterações laboratoriais. Já a fibromialgia não é uma doença autoimune e sim uma síndrome complexa em que a paciente apresenta, entre várias outras alterações, uma sensibilidade exacerbada a dor.
Extra – Quais são os principais sintomas que devem servir de alerta para a população?
Thiago – Em ambas as doenças os sintomas são diversos. No Lúpus, podemos ter acometimento de qualquer parte do corpo, mas ressalto os locais mais comuns como pele, articulações, rins e cardiovascular. Na fibromialgia os sintomas podem ser múltiplos, mas em especial a sensibilidade a dor, alterações de sono, distúrbios de humor e fadiga.
Extra – Por que o diagnóstico dessas doenças costuma ser demorado e quais os impactos disso na vida do paciente?
Thiago – Na Reumatologia costumo dizer que precisamos montar um quebra-cabeça em que as peças vêm com o tempo. O diagnóstico muitas vezes demora pois o grau de suspeição tende a ser baixo e muitos sintomas são frustros portanto muitos pacientes relevam por tempo prolongado e médicos que não estão habituados com tais doenças podem não juntar os dados apresentados nas consultas.
Extra – Existe cura para o lúpus e a fibromialgia ou o tratamento tem como foco o controle dos sintomas?
Thiago – Não há cura para nenhuma destas doenças, porém sem dúvida alguma existem estratégias validadas para controle dos sinais e sintomas e consequentemente melhora da qualidade de vida.
Extra – Como o acompanhamento médico e o tratamento adequado contribuem para a qualidade de vida dos pacientes?
Thiago – O acompanhamento regular com médicos e equipe multidisciplinar faz com que consigamos estabelecer e individualizar o melhor tratamento para cada paciente visando a melhora qualidade de vida possível para os pacientes.
Extra – Além dos sintomas físicos, quais são os impactos emocionais dessas doenças e como lidar com eles?
Thiago – Podemos ter impacto emocional em diversos aspectos da vida dos pacientes desde pequenos impactos diários a limitação para realização de atividades básicas. Para lidar com os sintomas o primeiro passo é entender sobre a doença e conversar com o médico/equipe multidisciplinar. A partir disso elaborar um plano de acompanhamento e entender as particularidades de cada momento. Sempre respeitando a individualidade de cada paciente.
Extra – O preconceito e a falta de informação ainda são desafios. Como a sociedade pode apoiar melhor quem convive com essas condições?
Thiago – Sem dúvida o primeiro passo é a conscientização sobre as doenças vide o escopo da campanha do Fevereiro Roxo. Quanto mais pessoas entenderem sobre estas patologias mais capacitadas elas estarão para acolher os pacientes.
Extra – Há avanços recentes na medicina que trazem mais esperança para quem vive com lúpus ou fibromialgia?
Thiago – Sim, há avanços nas duas doenças. Em especial nos últimos anos vemos um avanço significativo no tratamento do Lúpus com desenvolvimento de novas linhas de tratamento e novas metas para controle dos sintomas. Quanto a Fibromialgia, há poucas novidades quanto a terapia medicamentosa, porém cada vez mais, através de estudos, estamos compreendendo sobre a doença e desenvolvendo novas abordagens de tratamento.
Extra – Que mensagem o senhor deixaria para quem convive com sintomas, mas ainda não procurou ajuda médica?
Thiago – Em primeiro lugar gostaria de dizer que tenham paciência, mas não retardem a procura de atendimento. Acreditem na capacidade individual de melhora e que com o tratamento correto tudo tende a melhorar. E claro, buscar profissionais de confiança e, em especial, que sejam capacitados tecnicamente para atendimento destas patologias. Aqui, sugiro sempre buscar em sites validados (como o Conselho Federal de Medicina) e ver se tais profissionais são registrados nas especialidades (no caso da Medicina, se possuem RQE) pois isto minimiza a possibilidade de um atendimento de baixa qualidade técnica e moral.
