Deputados paulistas enfrentam baixa taxa de engajamento no Instagram, aponta estudo

Foto: Alesp
Apenas 20% dos deputados estaduais de São Paulo conseguem engajar de forma consistente seus seguidores no Instagram, segundo o relatório Panorama de Engajamento Digital. O estudo, elaborado pelos consultores Felipe Tonet e Rafael Bernardo, analisou o desempenho dos 94 parlamentares na rede social entre 14 de junho e 15 de julho de 2025.
Os dados revelam uma realidade preocupante: quase metade dos perfis apresenta uma taxa de engajamento inferior a 1%. Isso significa que, embora publiquem com regularidade, as postagens pouco repercutem entre os eleitores. O conteúdo circula, mas não estimula interação significativa. Segundo os autores, a maioria das contas ainda enfrenta dificuldade para converter audiência em diálogo.
“A grande questão não é estar nas redes, mas ser relevante nelas. Muitos parlamentares falam, mas não estimulam conversas. O engajamento é um termômetro de conexão com a base”, afirma Felipe Tonet, especialista em comunicação e marketing político. Ele destaca que a presença digital, isoladamente, não garante influência nem fortalece a imagem pública se não for acompanhada de estratégias consistentes de interação.
Entre os deputados com maior taxa de engajamento estão Donato (PT), com 33,79%, Letícia Aguiar (PL), com 18,26%, e Monica Seixas (PSOL), com 17,10%. Partidos com atuação fortemente ideológica, como o PSOL, lideram também na média de engajamento, com 8,93%. A leitura dos dados indica que o alinhamento entre discurso político e expectativa do público tem papel determinante na performance digital.
O caso do deputado Felipe Franco (UNIÃO) ilustra outro fenômeno frequente. Ele é o parlamentar com maior número de seguidores, ultrapassando 4 milhões, mas tem engajamento abaixo de 1%. “Isso confirma uma tendência já observada em outros estudos: perfis com grandes audiências costumam ter maior dificuldade para manter um público engajado. A base é ampla, mas dispersa”, analisa Rafael Bernardo, publicitário e coautor do relatório.
O levantamento também aponta que ter muitos seguidores ou acumular curtidas não significa, necessariamente, ter influência. A métrica mais valiosa continua sendo a capacidade de gerar conversas, estimular participação e produzir conteúdo relevante no tempo certo.
Para os consultores, o desafio da comunicação legislativa no ambiente digital passa por estratégias que combinem consistência editorial, escuta ativa e mobilização. Publicações regulares, chamadas claras à ação e respostas rápidas a comentários e mensagens são algumas das recomendações práticas do estudo.
“É preciso tratar o Instagram não apenas como vitrine, mas como um canal de escuta e prestação de contas. O eleitor quer se sentir parte da conversa. Ignorar isso é desperdiçar uma das ferramentas mais acessíveis e potentes da política atual”, conclui Tonet.
