Setembro Amarelo: No mês de Prevenção ao Suicídio o Extra conversou com a psicóloga Michelle Thomazinho

 Setembro Amarelo: No mês de Prevenção ao Suicídio o Extra conversou com a psicóloga Michelle Thomazinho

Foto: Arquivo Pessoal – Michelle Thomazinho (CRP 06/132737) Psicóloga Especialista em Neuropsicologia

Setembro Amarelo é o mês dedicado à prevenção ao suicídio. Leva esse nome por se tratar de uma campanha e que teve início no Brasil em 2015 por meio de um projeto desenvolvido em conjunto com o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM), e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e tem como dia 10 do mesmo mês como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, o suicídio é a quarta causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal entre os jovens brasileiros de 15 a 29 anos.

Dados da OMS, em todo o mundo, os casos de suicídio chegam a 800 mil. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, uma média de 38 suicídios por dia.

Para falarmos sobre saúde mental e o Setembro Amarelo, a jornalista Mara Melo conversou com a Psicóloga Especialista em Neuropsicologia Michelle Thomazinho (CRP 06/132737)

Mara Melo – Uma mudança brusca e negativa, ou mesmo uma depressão, pode provocar uma atitude suicida?

Michelle Thomazinho – Sim, a combinação de vulnerabilidades emocionais e mudanças negativas abruptas ou repentinas como a perda de um ente querido, o fim de um relacionamento ou problemas financeiros sérios podem ser preditores de atitudes suicidas.

Mara – O que fazer quando uma pessoa fala em tirar a própria vida?

Michelle – Quando alguém fala em tirar a própria vida, é preciso levar a sério. Nunca iremos perder por ouvir e demonstrar empatia por alguém que está sofrendo a ponto de pensar e expressar falas deste tipo. Não se deve minimizar os sentimentos da pessoa ou culpá-la. É importante encorajar o indivíduo a buscar ajuda profissional, se oferecer a acompanhar a pessoa a consultas oferecendo acolhimento. Caso a pessoa apresente um plano suicida ou tenha realizado tentativa é necessário buscar intervenção psiquiátrica imediata.

Mara – Os casos de reincidência são comuns nas tentativas de suicídio?

Michelle – Casos de reincidência são comuns nas tentativas de suicídio. Aqueles que já tentaram tirar a própria vida têm um risco maior de tentar novamente no futuro. É crucial que essas pessoas recebam cuidados de saúde mental adequados, incluindo terapia e seguimento médico psiquiátrico, para evitar futuros episódios suicidas. Realizar tratamento psiquiátrico e psicológico assiduamente é indispensável!

Mara – Quais são os sintomas de alguém que pensa em cometer suicídio?

Michelle – Alguns sinais que podem ser indicadores de suicídio são expressões de desesperança e desamparo recorrentes, isolamento social, mudanças extremas de humor, perda de interesse em atividades antes gostava, falar sobre morte ou suicídio, expressar sentimentos de ser um fardo para os outros, se despedir de pessoas importantes, entre outros. É importante estar atento a esses sinais e levar a sério qualquer ameaça de suicídio.

Mara – Como a família pode ajudar?

Michelle – A família pode auxiliar acolhendo a expressão de sofrimento de seu familiar. É fundamental oferecer um ambiente seguro para que a pessoa se sinta confortável para falar sobre seus sentimentos e angústias. Os familiares devem se informar sobre recursos de ajuda profissional disponíveis para acompanhamento desta pessoa, como terapeutas, psiquiatras e centros de prevenção de suicídio. A família também pode auxiliar na criação de um plano de segurança, mantendo armas e medicamentos fora do alcance da pessoa que apresenta comportamento suicida e incentivar a prática de atividades que promovam o bem-estar emocional.

Atendimento

No número de telefone 188 do Centro de Valorização a Vida tanto a pessoa com ideação suicida quanto seus familiares podem receber orientação gratuitamente.

No site https://www.cvv.org.br também é possível encontrar esse apoio por meio de e-mails e chat.

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